
Eu estou aqui.
Diante de tantas escamas que me foram arrancadas, eu estou aqui para me revestir novamente. Eu queria acreditar que seria possível viver sem ter escamas, mascaras, enfeites e fantasias... Mas não. É preciso se proteger. Ao tentar me despir de tudo que me aprisionava fui percebendo o quanto é inevitável deixar de ser, mesmo quem você não gostava de ser, o que você sempre foi. E sim, é preciso se proteger. Afinal, somos os mesmos em todas as situações e momentos de nossas vidas? Não seria possível. Desempenhamos papeis. E que fiquemos ligados... Não existe um papel que você possa dizer ‘nessa hora eu sou mais eu’, você É tudo aquilo que você faz ser, em qualquer momento!
(A famosa frase, as aparências enganam... É papo furado, a aparência também é uma forma de existir! Cuidado!)
Quais são os valores? O que eu quero? Quem sou eu? Quem não sou eu? Para que eu sou assim?
Tantas perguntas com respostas inacabadas... E aí me pergunto, como se fosse uma mágica e aquela lâmpada acende: resposta? Para que? Eu estou aqui, e eu acho possível tudo aquilo que me sonda, tudo aquilo que esta ao meu redor, um colchão, uma mesa e uma xícara de café, como estou no momento; isso me dá forma. Sou uma Gestalt, sendo isso, eu sou uma forma em configuração, fazendo parte de um todo... Olha como somos importantes, somos especiais, sem nós (partes) o todo já não é mais Gestalt, então, deixa de existir! É nesse momento que me encontro no mundo. Nenhum de nós estaria vivo, sem que o outro também existisse! Percebo o quanto a gente deixa de prestar atenção nos detalhes da nossa vida para tentar buscar respostas filosóficas e extraordinárias, e a resposta esta aqui, no ali, no instante, na possibilidade, no outro!
Cada um vive da maneira que elege viver melhor, por isso não existe a melhor maneira de se viver, existe o seu jeito... Hoje, minha lição de casa, que eu mesma me ensino, é (re) encontrar um valor que eu joguei fora, como se aquilo não fosse mais importante para mim... Hoje eu sinto falta, eu perco o ar, é como uma vida sem vida é como álbum de figurinha sem colorir!
Na vida é preciso de um lápis, giz de cera, e um papel em nossas mãos... É preciso dar cor aos nossos olhos!
Esta passando uma propagando na TV de um perfume, eu acho que é do Boticário, que a criança diz que sua mãe é colorida. Depois aparece ela espirrando o perfume e cai nos óculos dele gotinhas e ele passa a ver ela colorida. Essa propaganda me ensinou muitas coisas. É preciso ter as lentes coloridas, enxergar como crianças... Se você se sente no vazio, saiba que você tem cores para enfeitar esse espaço e essas cores, são as pessoas, são os objetos, os livros, o ar, a arvore, o cotidiano...
E de uma forma meio torta, eu estou encontrando o meu caminho... Parei de tentar entender e vou agora começar a viver. Que Deus, único e completo, seja meu porto de entrega, que o Universo conspire tudo aquilo que o amor de Deus construiu e que faça vir tudo aquilo que eu agüento segurar. Que o acaso não exista em minha desculpa de viver, que eu entenda que é preciso, é necessário... Se eu nasci por que o outro precisava existir, então nada nessa minha vida irá acontecer sem que o real encontro seja verdadeiro. É preciso seguir, é preciso viver para entender que, não se vive só de amor, não se vive de respostas... Vive-se de pergunta, de encontro e desencontro... É a esperança, é a nossa energia e a nossa potencialidade de se reconstruir que eu sigo, cantando, sorrindo, chorando, sofrendo... É preciso sentir para entrar em si.
Termino aqui com uma pergunta simples, mas é para dar continuidade em meu dia e até a próxima lição...
Quem eu quero ser hoje? Eu posso ser?
Paz e respeito!