quarta-feira, abril 18, 2012


Eu estou aqui.
Diante de tantas escamas que me foram arrancadas, eu estou aqui para me revestir novamente. Eu queria acreditar que seria possível viver sem ter escamas, mascaras, enfeites e fantasias... Mas não. É preciso se proteger. Ao tentar me despir de tudo que me aprisionava fui percebendo o quanto é inevitável deixar de ser, mesmo quem você não gostava de ser, o que você sempre foi. E sim, é preciso se proteger. Afinal, somos os mesmos em todas as situações e momentos de nossas vidas? Não seria possível. Desempenhamos papeis. E que fiquemos ligados... Não existe um papel que você possa dizer ‘nessa hora eu sou mais eu’, você É tudo aquilo que você faz ser, em qualquer momento!
(A famosa frase, as aparências enganam... É papo furado, a aparência também é uma forma de existir! Cuidado!)
Quais são os valores? O que eu quero? Quem sou eu? Quem não sou eu? Para que eu sou assim?
Tantas perguntas com respostas inacabadas... E aí me pergunto, como se fosse uma mágica e aquela lâmpada acende: resposta? Para que? Eu estou aqui, e eu acho possível tudo aquilo que me sonda, tudo aquilo que esta ao meu redor, um colchão, uma mesa e uma xícara de café, como estou no momento; isso me dá forma. Sou uma Gestalt, sendo isso, eu sou uma forma em configuração, fazendo parte de um todo... Olha como somos importantes, somos especiais, sem nós (partes) o todo já não é mais Gestalt, então, deixa de existir! É nesse momento que me encontro no mundo. Nenhum de nós estaria vivo, sem que o outro também existisse! Percebo o quanto a gente deixa de prestar atenção nos detalhes da nossa vida para tentar buscar respostas filosóficas e extraordinárias, e a resposta esta aqui, no ali, no instante, na possibilidade, no outro!
Cada um vive da maneira que elege viver melhor, por isso não existe a melhor maneira de se viver, existe o seu jeito... Hoje, minha lição de casa, que eu mesma me ensino, é (re) encontrar um valor que eu joguei fora, como se aquilo não fosse mais importante para mim... Hoje eu sinto falta, eu perco o ar, é como uma vida sem vida é como álbum de figurinha sem colorir!
Na vida é preciso de um lápis, giz de cera, e um papel em nossas mãos... É preciso dar cor aos nossos olhos!
Esta passando uma propagando na TV de um perfume, eu acho que é do Boticário, que a criança diz que sua mãe é colorida. Depois aparece ela espirrando o perfume e cai nos óculos dele gotinhas e ele passa a ver ela colorida. Essa propaganda me ensinou muitas coisas. É preciso ter as lentes coloridas, enxergar como crianças... Se você se sente no vazio, saiba que você tem cores para enfeitar esse espaço e essas cores, são as pessoas, são os objetos, os livros, o ar, a arvore, o cotidiano...
E de uma forma meio torta, eu estou encontrando o meu caminho... Parei de tentar entender e vou agora começar a viver. Que Deus, único e completo, seja meu porto de entrega, que o Universo conspire tudo aquilo que o amor de Deus construiu e que faça vir tudo aquilo que eu agüento segurar. Que o acaso não exista em minha desculpa de viver, que eu entenda que é preciso, é necessário... Se eu nasci por que o outro precisava existir, então nada nessa minha vida irá acontecer sem que o real encontro seja verdadeiro. É preciso seguir, é preciso viver para entender que, não se vive só de amor, não se vive de respostas... Vive-se de pergunta, de encontro e desencontro... É a esperança, é a nossa energia e a nossa potencialidade de se reconstruir que eu sigo, cantando, sorrindo, chorando, sofrendo... É preciso sentir para entrar em si.
Termino aqui com uma pergunta simples, mas é para dar continuidade em meu dia e até a próxima lição...
Quem eu quero ser hoje? Eu posso ser?
Paz e respeito!